Licitação para compra de ônibus pela INFRAERO ignora conseqüências ao meio ambiente e à saúde da população

Nobres leitores,

Segue notícia acerca do absurdo que está ocorrendo com esta licitação:

"Licitação para compra de ônibus pela INFRAERO ignora conseqüências ao meio ambiente e à saúde da população

Efeitos da poluição atmosférica custam pelo menos US$ 1 bilhão por ano aos cofres públicos brasileiros A licitação para compra de 121 ônibus a diesel pela Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (INFRAERO) para o transporte de passageiros nos pátios dos aeroportos prevê a aquisição de veículos já apontados como obsoletos para a finalidade a que se destinam e que auxiliam o agravamento dos índices de poluição das metrópoles brasileiras, causando prejuízos à população e ao meio ambiente e, por conseqüência, aumento dos gastos públicos.

O Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da USP, um dos centros de pesquisa mais importantes do mundo, divulgou recentemente a conclusão das primeiras avaliações de uma análise sobre os efeitos da poluição no País, considerando seis regiões metropolitanas: Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo.

A estimativa é de que a má qualidade do ar custe pelo menos US$ 1 bilhão (cerca de R$ 2,1 bilhões) aos cofres públicos brasileiros a cada ano.

De acordo com o Edital de Pregão Eletrônico nº 041, disponível para consulta no site da companhia, a região metropolitana mais poluída do país, com gastos de US$ 300 milhões (cerca de R$ 630 milhões), receberá 53 ônibus a diesel.

O Aeroporto de Congonhas e o Aeroporto Internacional de Garulhos, ambos em São Paulo, receberão respectivamente 25 e 28 unidades. O Rio de Janeiro, segundo colocado no ranking dos mais poluidores do país, com gastos de US$ 250 milhões (cerca de R$ 525 milhões), receberá no total 15 ônibus a diesel. Doze deles irão para o Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim e o restante irá para o Aeroporto Santos do Dumont.

O Aeroporto Internacional de Brasília receberá 13 ônibus e os restantes 40 ônibus serão entregues a 17 outros aeroportos. As Nações Unidas já firmaram o entendimento de que os efeitos adversos ao meio ambiente provocados pela aviação civil podem e devem ser reduzidos com a aplicação de inovações tecnológicas, adoção de procedimentos operacionais apropriados, reorganização do tráfego aéreo e em solo.

No entanto, contrariando a própria política ambiental da empresa, o edital da INFRAERO não contempla nenhuma das alternativas atualmente disponíveis (biocombustível, híbridos ou elétricos a bateria) para a substituição da frota. Ao contrário, o documento confronta posições adotadas pela estatal: “(...) a Infraero vem implementando ações visando a substituição dos combustíveis de equipamentos e veículos, buscando o equilíbrio entre a eficiência energética e o meio ambiente”, segundo dados do site.

 O 3º Relatório Mundial do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado em maio do ano passado, na Tailândia, defendeu a utilização de veículos elétricos para auxiliar na mitigação das mudanças climáticas e destacou ainda que a eficiência energética desempenha um papel importante neste cenário.

A poluição atmosférica mata de 2,5 milhões a 4 milhões de pessoas por ano, em todo o mundo, segundo dados do estudo The global burden of disease, da Organização Mundial da Saúde e do Banco Mundial, feito na Universidade de Harvard. Além do benefício financeiro, a troca da energia fóssil pela elétrica reduziria os níveis de emissões de poluentes, que são consideradas preocupantes nas áreas de aeroportos com grande movimentação de aeronaves.

Estudo da COPPE/UFRJ, divulgado em 2002, destaca a relevância das emissões provenientes da operação de veículos e equipamentos de apoios no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, que contribuíram em mais de 20% para as emissões de óxido de nitrogênio (NOx), materiais particulados (MP) e monóxido de carbono (CO). De acordo com os estudos sobre a poluição do ar na capital paulista e o impacto sobre a saúde da população, nos dias de maior poluição, quem mora em São Paulo tem um quadro clínico de inflamação pulmonar (um fechamento pequeno das artérias que podem levar ao aumento da pressão arterial – hipertensão).

Na capital paulista, há uma redução em média de um ano e meio na expectativa de vida. Morrem nove pessoas por dia, vítimas da poluição, o que representa entre 5% a 10% do número de óbitos da capital paulista.

No entanto, apesar das reconhecidas vantagens do uso de veículos elétricos para a redução de emissão de poluentes, o Plano Nacional de Mudança do Clima, divulgado recentemente pelo Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM), é omisso quanto à adoção desses veículos como medida do governo brasileiro para mitigar o avanço das mudanças climáticas.

O veículo elétrico a bateria (VEB) tem emissão zero de poluentes nos locais onde circula e alcança uma eficiência de aproximadamente 70%, percentual igual a quase cinco vezes a eficiência de veículos convencionais (14 a 18%).

De acordo com estudos comparativos de custos, essas substituições proporcionariam, ao longo de 5 a 7 anos, uma redução de gastos da ordem de 15 a 20%. O VEB funciona através de um ou mais motores elétricos, cuja energia é suprida por uma ou mais baterias instaladas a bordo que são periodicamente recarregadas na rede elétrica. Já o veículo elétrico híbrido (VEH) permite economia de combustível da ordem de 10 a 50% quando comparados com o equivalente convencional.

Com este modelo, as emissões de dióxido de carbono (CO2) são reduzidas em até 50% e as emissões de monóxido de carbono (CO), hidrocarbonetos (HC) e óxidos de nitrogênio (NOx) e material particulado são reduzidas em até 90%.

O termo híbrido se deve ao fato que no seu acionamento ele conta com um motor de combustão interna, usado nos veículos convencionais, e também com um ou mais motores elétricos que acionam as rodas. Infelizmente, a INFRAERO decidiu pela não adoção da tração elétrica (ônibus elétrico a bateria ou elétrico híbrido) que aumentaria a eficiência no uso da energia, reduziria as emissões de poluentes atmosféricos e o ruído nos aeroportos sob sua administração. Por outro lado, felizmente, ainda há tempo de rever a decisão."

Fonte: Associação Brasileira do Veículo Elétrico.


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